Roberto Cidade e aliados do PL-AM ignoram operação da PF

Roberto Cidade e aliados do PL-AM ignoram operação da PF

Amazonas – A deflagração da Operação Sine Consensu, pela Polícia Federal, nesta sexta-feira (6), escancarou um novo e grave capítulo envolvendo a gestão dos recursos da previdência dos servidores do Amazonas. Enquanto investigadores apontam suspeitas de irregularidades em cerca de R$ 390 milhões aplicados pela Amazonprev, o silêncio da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM) levanta uma pergunta incômoda: onde está a fiscalização do Legislativo estadual?

Aplicações irregulares e o impacto na previdência

Segundo a Polícia Federal, os recursos do fundo previdenciário teriam sido aplicados em Letras Financeiras de bancos privados, como o Banco Master, em desacordo com normas de governança e regras federais. As investigações indicam que as aplicações ocorreram entre junho e setembro de 2024, apresentando indícios de procedimentos internos irregulares e movimentações financeiras atípicas.

A Justiça Federal já determinou o afastamento de servidores da cúpula da Amazonprev e o cumprimento de mandados de busca e apreensão. O caso é crítico: trata-se do dinheiro que garante a aposentadoria de milhares de servidores públicos amazonenses.

Silêncio da Assembleia e a fácil blindagem

Diante de um escândalo que envolve centenas de milhões de reais, cresce a pressão sobre o presidente da ALEAM, Roberto Cidade. Como chefe do Poder Legislativo, caberia a ele liderar a fiscalização do governo e cobrar explicações imediatas.

No entanto, o que se observa é o oposto. Roberto Cidade tem sido apontado por observadores políticos como um aliado fiel do governador Wilson Lima, atuando frequentemente para blindar o governo de críticas e evitar investigações profundas no Parlamento. Enquanto a PF avança, a Assembleia, que poderia instaurar debates ou uma CPI, permanece em um silêncio institucional que incomoda a sociedade.

A omissão política e a influência nas escolhas

O silêncio não se restringe apenas à cúpula da ALEAM. Os representantes do PL-AM, conhecidos por serem vocais em operações policiais quando estas lhes rendem capital político, também “emudeceram”.

Figuras como o presidente do partido, Alfredo Nascimento, a pré-candidata Maria do Carmo, o deputado Alberto Neto e o vereador Sargento Salazar não fizeram cobranças públicas. A postura causa estranheza, dado que o grupo costuma ser o primeiro a utilizar as redes sociais para comentar investigações de grande repercussão.

A relação política por trás da gestão da Amazonprev reforça a tese de influência partidária no fundo. Em 2024, as aplicações irregulares ocorreram sob a gestão de Ary Renato Vasconcelos de Souza. Contudo, após o escândalo ganhar corpo, Ary foi substituído em 2025 por Evilázio Nascimento, irmão de Alfredo Nascimento. Esta nomeação foi feita sem processo eletivo interno, sugerindo que o órgão pode ter sido utilizado como peça de tabuleiro político.

Enquanto servidores e aposentados aguardam respostas sobre quem autorizou os investimentos e por que a fiscalização falhou, parte da classe política amazonense prefere fingir que nada aconteceu.

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