Ícone do site Diário do Amazonas

Prepare o motor do seu veículo: gasolina com 32% de etanol

Prepare o motor do seu veículo: gasolina com 32% de etanol

A nova composição da gasolina brasileira impacta diretamente o bolso do trabalhador. Após longos meses de adiamentos, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), confirmou que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) decidirá na próxima terça-feira (14 de julho) sobre a alteração na mistura de etanol na gasolina, que passará dos atuais 30% (E30) para 32% (E32).

O acordo feito em caráter urgente com os ministros Alexandre Silveira (Minas e Energia) e Bruno Moretti (Planejamento) busca finalmente resolver uma sequência de três cancelamentos consecutivos dessa pauta. A expectativa, tanto do agronegócio quanto do setor de biocombustíveis, é grande, e a discussão foi arrastada desde maio, devido a justificativas que variaram desde compromissos presidenciais nos Estados Unidos até problemas genéricos de agenda.

O Xadrez Político e a Crise Internacional

Nos bastidores de Brasília, uma das principais razões para a lentidão do processo é o receio criado pela instabilidade do mercado internacional. O governo federal teme que a escalada de conflitos entre Irã e Estados Unidos cause um aumento no preço do petróleo. Implementar mudanças no combustível em meio a essa incerteza poderia gerar um choque imediato de preços nas bombas de gasolina, desgastando a relação do governo com a população em um ano eleitoral, particularmente ao tratar de um tema sensível como o preço da gasolina.

Com a aprovação do E32, o governo promete garantir a soberania energética. Essa nova composição deve resultar na redução de até 1 bilhão de litros de gasolina importada, aliviando assim a balança comercial e diminuindo a dependência de um mercado global sempre sob tensão.

Impactos Diretos na Economia e no Consumo

Se as expectativas macroeconômicas são positivas, na prática, o motorista precisa estar atento a como essa nova mistura pode afetar seu veículo. A adição de mais etanol à gasolina gera diferentes impactos, especialmente conforme o tipo de veículo e o padrão de uso.

Para motoristas que enfrentam tráfegos intensos diariamente — por exemplo, cruzando da Zona Leste até o Centro com uma motocicleta flex moderna, como a Crosser 2023 — o sistema de injeção não deve ter problemas. Como o tanque é esvaziado com frequência, não há tempo para que o combustível oxide. No entanto, a adição de etanol, que possui menor poder calorífico, obriga o motor a injetar uma maior quantidade de combustível para manter a mesma performance, resultando numa leve queda na média de desempenho em quilômetros por litro.

Por outro lado, o alerta fica para os veículos que rodam pouco, como carros mais antigos que utilizam apenas gasolina e elementos essenciais em regiões, como a Amazônia, onde motores de popa e geradores são comuns. Para esses, a nova composição pode ser problemática.

Diferentemente do diesel, que costuma ser afetado por bactérias que produzem um “bolor” biológico, a gasolina com maior teor de etanol pode passar por um processo químico que gera preocupações. O álcool presente no etanol tem a tendência de atrair a umidade do ar. Se o carro ficar parado por longos períodos, essa água pode se acumular no fundo do tanque, criando uma substância pegajosa e corrosiva que pode obstruir filtros e sujar o sistema de injeção, potencialmente travando o motor.

A aprovação do E32 na próxima terça-feira será um marco para a bancada do agronegócio e também para a balança comercial brasileira. Contudo, para o consumidor comum, isso exigirá atenção extra na hora de calcular o consumo e manutenções preventivas para que as mudanças na composição da gasolina não se tornem um problema a mais em suas finanças pessoais.

Sair da versão mobile