Ícone do site Diário do Amazonas

PF investiga esquema de diamantes e garimpo ilegal na Amazônia

PF investiga esquema de diamantes e garimpo ilegal na Amazônia

A exploração ilegal de riquezas naturais na Amazônia se intensificou nas últimas décadas, chamando a atenção das autoridades e da sociedade civil. O caso que começou como uma abordagem de rotina da Polícia Rodoviária Federal (PRF) na BR-174, em 2020, evoluiu para uma das investigações mais profundas sobre contrabando de diamantes e financiamento de garimpo ilegal, envolvendo figuras proeminentes do estado de Roraima.

A pesquisa da Polícia Federal (PF) revela uma rede complexa que atinge diretamente o ex-governador Antonio Denarium. O empresário Fabrício de Souza Almeida emerge como a figura central do esquema, acusado de ser o “braço financeiro” responsável por uma vasto esquema de lavagem de dinheiro que contava com a utilização de empresas de fachada.

A Sombra do Ex-Governador: Implicações Políticas

O nome de Antonio Denarium não só apareceu nos registros da investigação, mas sua conexão com a Fazenda J. Bastos, declarada à Justiça Eleitoral, levanta sérias preocupações. Esta propriedade, localizada em Iracema (RR), foi referida em documentos oficiais, destacando a relação entre políticos e atividades ilegais de extração de recursos naturais.

Além disso, interações em redes sociais onde Denarium chamava um sobrinho de “the diamond king” aumentam ainda mais a suspeita sobre a proximidade do ex-governador com o mercado de pedras preciosas, um setor que está em constante vigilância devido à sua vulnerabilidade a práticas ilícitas.

O Esquema de Lavagem de Dinheiro

A empresa FB Serviços, sob a gestão de Fabrício de Souza Almeida, movimentou mais de R$ 6 milhões em pouco tempo, levantando questões sobre a legitimidade de suas operações. A PF e o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) observaram que a empresa não apresentava a estrutura necessária para justificar tais valores, o que sugere uma rede de lavagem de dinheiro robusta e complexa.

Estudos do Ministério Público Federal (MPF) indicam que entre 2017 e 2021 o grupo teria movimentado em torno de R$ 64 milhões. A prática de realizar saques em espécie e a circulação de valores entre diversas contas de indivíduos ligados ao grupo apontam uma estratégia deliberada para dificultar o rastreamento do dinheiro, uma tática clássica no mundo do crime financeiro.

Crimes Ambientais e Reincidência

Nem mesmo os antecedentes de Fabrício de Souza Almeida foram suficientes para afastá-lo de atividades criminosas. Em 2010, ele já tinha enfrentado problemas legais, sendo preso durante a Operação Roosevelt, que combatia o comércio ilegal de diamantes. A gravidade das novas acusações, no entanto, é ainda mais alarmante.

Recentemente, Almeida e sua tia, Vanda Garcia de Almeida, foram acusados de financiar garimpos na Terra Indígena Yanomami, uma área protegida que merece respeito em termos de direitos humanos e ambientais. Durante o cumprimento de mandados de busca, a polícia encontrou registros que associam os investigados a pagamentos e logística relacionados à extração ilegal de minérios.

As consequências legais já são palpáveis: os denunciados enfrentam acusações de organização criminosa, lavagem de dinheiro e usurpação de bens da União, em um esquema que revela uma intersecção preocupante entre poder político e exploração predatória dos recursos naturais do Brasil.

Embora a defesa dos envolvidos e a assessoria de Denarium ainda não tenham se manifestado, o caso continua a ser um ponto crítico de discussão nacional, simbolizando não apenas o combate à corrupção, mas também a luta pela preservação de um dos ecossistemas mais diversos do planeta.

Sair da versão mobile