A pesquisa AM-08447/2026, realizada pelo Instituto Veritá, enfrentou um revés legal significativo no Amazonas quando a Justiça Eleitoral determinou sua suspensão. A decisão ocorreu após a coligação Pra Cima Amazonas apontar irregularidades na forma como os dados foram apresentados, afetando diretamente a intenção de voto nas eleições para o Governo do Amazonas e o Senado.
Irregularidades na Divulgação da Pesquisa
A principal irregularidade destacada pela Justiça Eleitoral foi a declaração de que a pesquisa abrangia “TODOS OS BAIRROS” dos 39 municípios investigados. No entanto, isso não atendia às exigências previstas nas normas eleitorais que demandam um detalhamento maior sobre a amostra. A falta de clareza na apresentação dos dados gerou desconfiança e levou à decisão de negar o registro da pesquisa.
O Instituto Veritá, por sua vez, justificou que sua metodologia, que inclui entrevistas telefônicas automatizadas, inviabilizava a precisão na identificação dos bairros dos entrevistados. Contudo, essa justificativa não convenceu a Justiça. A juíza Monica Cristina Raposo da Camara Chaves do Carmo enfatizou que, independentemente do método utilizado, o instituto tinha a responsabilidade de fornecer informações que possibilitassem a fiscalização da amostra.
Divergências na Documentação
Outro aspecto preocupante do processo foram as inconsistências nos números apresentados pelo Instituto Veritá. Documentos diferentes mostraram quantidades diferentes de entrevistas realizadas em Manaus: um indicou 644 entrevistas, enquanto o outro apontou 748. Embora a juíza tenha destacado que não era possível afirmar que essa divergência comprometeu o resultado estatístico, o erro foi considerado um fator que prejudicou a transparência e a credibilidade da pesquisa.
Essas discrepâncias nos dados levantaram questões sobre a responsabilidade e a precisão das informações fornecidas pelo instituto. Uma pesquisa eleitoral precisa ser clara e transparente, não apenas para cumprir a legislação, mas para garantir a confiança do público nos processos eleitorais.
Consequências Legais e Multa
Em decorrência das irregularidades identificadas, o Instituto Veritá foi multado em R$ 53.205, que é o valor estabelecido como mínimo para situações de não conformidade com as normas eleitorais. Essa medida não apenas impede a divulgação dos resultados da pesquisa, mas também serve como um alerta sobre a importância da conformidade legal em levantamentos eleitorais.
O Ministério Público Eleitoral também apoiou a representação que resultou na decisão da Justiça, reforçando a necessidade de regulamentos claros e a fiscalização rigorosa dessas atividades por institutos de pesquisa. Com isso, a pesquisa permanece proibida de ser divulgada, o que levanta questionamentos sobre os impactos que isso pode ter nas estratégias de campanha dos candidatos ao Governo e ao Senado do Amazonas.
A decisão da Justiça ressalta a importância da precisão e da clareza nos dados e na condução de pesquisas eleitorais, elementos cruciais que ajudam a consolidar a integridade do processo democrático.

