Ícone do site Diário do Amazonas

Após ação movida pelo PSD, TRE-AM suspende pesquisa eleitoral

Após ação movida pelo PSD, TRE-AM suspende pesquisa eleitoral

A suspensão da pesquisa eleitoral AM-03377/2026, realizada pelo Instituto Veritá Ltda, chama a atenção para as polêmicas em torno das eleições no Amazonas. O levantamento, que indicava a empresária e pré-candidata Maria do Carmo Seffair (PL) na dianteira para o Governo do Amazonas em 2026, foi barrado por uma decisão liminar da Justiça Eleitoral do estado.

A medida foi desencadeada após uma representação do Partido Social Democrático (PSD), presidido pelo senador Omar Aziz, que também é pré-candidato ao governo. A juíza Maria Auxiliadora Benigno, responsável pela decisão, apontou diversas falhas técnicas na pesquisa, destacando inconsistências que levavam a crer na possibilidade de fraude.

Irregularidades na pesquisa do Instituto Veritá

O relatório técnico que fundamentou a suspensão da pesquisa revelou um dado alarmante: das 1.220 entrevistas assumidamente realizadas, cerca de 380 registros eram idênticos em todos os 28 campos avaliados. Isso corresponde a aproximadamente 62% da amostra total. Esse fenômeno de duplicação de dados levanta suspeitas sobre a veracidade da pesquisa e sugere uma replicação artificial das informações.

Dentre as irregularidades mencionadas, outro ponto relevante foi a incompatibilidade das datas de coleta. Embora o Instituto Veritá tenha afirmado que as entrevistas aconteceram entre 23 e 28 de abril de 2026, os microdados não mostram registro de nenhuma entrevista no dia 23, gerando uma enorme discrepância que compromete a credibilidade do levantamento.

Técnicas em questão: auditabilidade e métodos

Além disso, o Instituto Veritá alegou que 20% das entrevistas foram auditadas por telefone, mas os registros de contato dos entrevistados estavam completamente vazios. Tal falha evidencia a falta de transparência e a fragilidade na metodologia de coleta dos dados. Também foram observadas contradições nos critérios de seleção dos entrevistados, alternando entre métodos probabilísticos e não probabilísticos, o que confunde ainda mais a análise dos resultados.

Caso a pesquisa fosse divulgada em desacordo com a ordem judicial, foi estipulada uma multa de R$ 10 mil por dia. A situação ainda será enviada ao Ministério Público Eleitoral (MPE) e ao Conselho Regional de Estatística para investigação mais aprofundada sobre a responsabilidade das partes envolvidas.

O papel da juíza Maria Auxiliadora Benigno no contexto político

A decisão judicial não apenas repercutiu pelas falhas na pesquisa, mas também pela ligação da juíza Maria Auxiliadora Benigno com o PSD. Antes de assumir cargo no Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas, ela atuou como advogada em campanhas desse partido, inclusive da campanha de reeleição do senador Omar Aziz em 2022, recebendo R$ 200 mil pelos serviços prestados. Esse vínculo anterior levantou críticas e acirrou os ânimos nos bastidores da política local.

A decisão da Justiça Eleitoral, portanto, levanta questões sobre imparcialidade e os limites entre o judiciário e o processo eleitoral, principalmente quando uma magistrada com um histórico tão próximo de um dos envolvidos decide sobre uma situação delicada. Essa conexão estreita entre as partes pode fazer com que a credibilidade do tribunal seja questionada, deixando um cenário de incertezas na véspera das eleições de 2026.

Consequências na corrida eleitoral: o futuro das candidaturas

A pesquisa do Instituto Veritá tinha um impacto significativo na dinâmica eleitoral do Amazonas, colocando Maria do Carmo Seffair à frente, seguida por Omar Aziz (PSD), o ex-prefeito David Almeida (Avante) e o atual governador Roberto Cidade (União Brasil). A suspensão da divulgação desses dados pode afetar as estratégias dos candidatos e sua percepção pública, já que a informação é uma peça fundamental em qualquer campanha.

Por enquanto, a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas, que possui caráter liminar, significa que o mérito da pesquisa e a regularidade do Instituto Veritá ainda está por ser julgado definitivamente. Assim, até que a Corte se pronuncie, os dados da pesquisa permanecem fora de circulação, criando um clima de incerteza para as campanhas, que se intensificam à medida que as eleições se aproximam.

Em um ambiente político delicado como o do Amazonas, a articulação e a comunicação são cruciais. A pesquisa que apontava Maria do Carmo como líder pode ter sido um trunfo, mas agora, devido a questões jurídicas, sua estratégia precisará ser reconsiderada. O desdobramento deste caso será observado cuidadosamente, não apenas pelo impacto nas eleições de 2026, mas também pela integridade do processo eleitoral no estado.

Sair da versão mobile