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Após matar dono de bar em Manaus, PM tentou encobrir crime

Após matar dono de bar em Manaus, PM tentou encobrir crime

Manaus — Bruna, ainda vestindo a blusa manchada com o sangue de seu marido, William Kramer, aguardava na porta da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS). Ela estava ali não apenas para liberar o corpo do companheiro para o enterro, mas também para implorar que a verdade não fosse enterrada junto com ele. Na madrugada desta quinta-feira (16), William, um trabalhador e dono de bar, foi executado a tiros após tentar ajudar uma mulher que apanhava na rua. O atirador é um policial militar.

O caso chocou o bairro Nova Cidade, na zona Norte, transformando a vida de uma família em um pesadelo. A dor e a revolta agora são acompanhadas pelo medo da impunidade. “Ele não foi na ignorância, só queria ajudar”.

O crime ocorreu em frente ao bar de William, que os dois haviam inaugurado há apenas dois meses. Segundo a viúva, o bar já estava fechado, e William conversava com um amigo quando ouviram os gritos da esposa do policial militar que estava sendo agredida.
Apesar do alerta do amigo para não se envolver, William não conseguiu ignorar a situação e se aproximou para tentar resolver tudo com diálogo. “Por que o senhor tá batendo na sua esposa? Bora conversar”, seriam essas as palavras de William, segundo o relato da esposa.

Entretanto, a resposta do agressor deixou evidente a brutalidade da situação. O PM, conhecido localmente pelo apelido de “Policial Nóia” e com um histórico de agressões, teria respondido: “Que foi? Tu sabe que eu sou o tranca-rua, tu vai mexer com a autoridade?” Em seguida, ele sacou a arma e iniciou a execução. O amigo Sandro foi atingido de raspão, mas conseguiu puxar William para dentro do bar. O policial os perseguiu, disparando diversas vezes contra William.


A Frieza da Fraude e o Peso do Vídeo

A dor da perda de Bruna é amplificada pela revolta com a tentativa do policial de criminalizar seu marido após a execução. A viúva alega que o atirador forjou a cena do crime.
Um dos pontos mais chocados é que o policial teria entrado no bar com uma bolsa cheia de drogas e um simulacro de arma para plantar provas, alegando que William era um assaltante. Além disso, a esposa do PM, que antes gritava por socorro, mudou a versão na delegacia, afirmando que o policial agiu em “legítima defesa” para protegê-la.

Câmeras de segurança do local apresentaram uma dinâmica diferente da alegada, pois o suspeito chegou a remover o chip da câmera de monitoramento do bar. No entanto, a família revelou que o sistema envia imagens diretamente para o celular da vítima, assegurando que toda a situação e a inocência de William estão gravadas.

O Medo que Silencia

Além do luto pela morte do marido, Bruna vive agora sob a constante preocupação com sua segurança e a de sua família. Enquanto aguardava na DEHS, tomou conhecimento de que viaturas da Polícia Militar estavam paradas em frente à casa de sua avó.
A alegação oficial dos agentes que cercavam a residência era uma suposta denúncia de “motos roubadas”, algo que a viúva contesta com veemência, informando que todos os veículos da família são legalizados. Para ela, a intenção foi clara: intimidar.

“Eu só quero que ele vá preso, e deixe a minha vida em paz. Que não venha querer me coagir, me amedrontar. Agora eu vou ter que me mudar da minha casa com medo.”

William Kramer faleceu por sua empatia em uma sociedade que frequentemente ensina a ignorar a dor alheia. Agora, a voz embargada de Bruna e a blusa suja de sangue simbolizam que a justiça precisa ser implacável, não apenas para punir os culpados, mas também para proteger os que ficam.

“Meu marido era um pai de família, trabalhava duro e não mexia com ninguém. Onde vocês forem, vão falar bem dele. Eu só quero justiça, gente, só isso.”

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