O caso de Vitória, uma jovem influenciadora, expõe abusos que a levaram a falar publicamente sobre sua difícil experiência. Ela afirma que seu pai, que já trabalhou no Conselho Tutelar, a está ameaçando judicialmente com acusações consideradas falsas. Essa situação gerou um afastamento prolongado dela e de sua mãe da internet, e o medo é palpável em suas palavras: “Estamos traumatizadas e com medo”.
No vídeo em que relata sua história, Vitória explica que quebrou o silêncio após denúncias infundadas do pai, que alega que sua mãe a mantém em cárcere privado. A youtuber refuta essas acusações, ressaltando que os verdadeiros abusos ocorreram quando a família ainda vivia junta. A adolescente menciona que esses acontecimentos a levaram a considerar a possibilidade de ir para um abrigo devido a falsas denúncias.
História de Abusos e Violência
Vitória detalha um histórico sombrio de abusos, físicos, psicológicos e sexuais. Desde a infância, a jovem testemunhou episódios em que o pai tentava matar sua mãe, e o casamento deles se caracterizou por ameaças constantes, até mesmo em direção aos avós maternos. Ela destaca que o ambiente familiar era repleto de terror e insegurança, o que teve um impacto devastador em sua saúde mental.
Entre os relatos mais graves, Vitória menciona:
- Abuso psicológico e sexual: A jovem relata que, aos 11 anos, seu pai a teria obrigado a ficar nua, proibindo-a de se cobrir, enquanto a ameaçava. Os olhares invasivos e constrangedores por parte dele a incomodaram ainda mais quando usava roupas específicas.
- Violência contra sua mãe: O pai de Vitória é acusado de correr atrás da mãe com uma faca, além de ter ameaçado tirá-la de sua vida.
- Tortura psicológica: De acordo com a youtuber, seu pai costumava dirigir em alta velocidade com elas dentro do carro, criando situações de perigo e pânico.
- Destruição de patrimônio: Vitória recorda os frequentes surtos de raiva do pai, que resultavam em objetos da casa sendo quebrados, como computadores e utensílios de cozinha.
Críticas ao Sistema de Justiça
Mora em Tianguá, no Ceará, Vitória expressa sua revolta com a falta de respaldo do sistema judiciário e do Conselho Tutelar em sua cidade. Ela acredita que as autoridades estão do lado de seu pai, o que a leva a questionar a imparcialidade e comprometida de profissionais que deveriam protegê-la. Segundo a jovem, informações confidenciais sobre seu caso teriam sido vazadas, colocando-a em risco.
Apesar da presença de uma medida protetiva e do uso de tornozeleira eletrônica por seu pai, ele continua a assediá-la, indo até mesmo à sua escola. Vitória faz um alerta à Justiça: “O que vocês estão fazendo é um absurdo. Preferem ouvir a versão do abusador.” Essa falta de ação efetiva para proteger os vulneráveis deixa um rastro de desconfiança na relação entre o público e as instituições designadas para garantir a segurança.
Consequências Psicológicas
As consequências de toda essa situação na saúde mental de Vitória são severas. Ela se afastou da escola e da internet para tentar se recuperar do trauma. Sua luta diária inclui lidar com a síndrome do pânico e pensamentos suicidas, o que exigiu internamentos em clínicas psiquiátricas. Dessa forma, a jovem vive com medo, temendo sair de casa por acreditar que está sempre sendo vigiada pelo agressor.
Por fim, Vitória conclui seu desabafo pedindo justiça. Com uma base de mais de 4 milhões de seguidores, ela considera essencial compartilhar sua história: “Não posso mais esconder isso, porque vocês merecem saber”. As redes sociais se tornaram uma plataforma crucial para que ela e outras vítimas compartilhem suas experiências em busca de acolhimento e mudança no panorama de violência doméstica no Brasil.

