O Brasil vive um novo tempo no comércio exterior. Após 25 anos de espera, o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia começou a vigorar de forma provisória nesta sexta-feira (1/5). Essa união cria uma das maiores zonas de intercâmbio econômico do planeta, ligando o Brasil a um mercado que soma 700 milhões de consumidores e um PIB combinado superior a US$ 22 trilhões.
A implementação será gradual, mas os efeitos já estão se fazendo notar. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), mais de 80% dos produtos brasileiros exportados para a Europa já estão com tarifa zero, um impacto imediato para o setor produtivo.
O Que Muda No Bolso do Consumidor?
As compras do dia a dia também prometem mudanças. O acordo deve acarretar uma redução de preços em itens que antes tinham altos impostos, como vinhos, azeites de oliva e queijos. Além disso, consumidores poderão encontrar novos produtos nas prateleiras, como chocolates premium que antes não chegavam ao Brasil devido a barreiras tarifárias.
O setor de medicamentos deve se beneficiar com custos reduzidos em fármacos importados, enquanto a competitividade de veículos europeus tende a aumentar. No agronegócio, insumos e maquinários agrícolas ficarão mais baratos, facilitando a produção.
Apesar das expectativas, especialistas, como Felippe Serigatti, da FGV Agro, alertam que a queda de preços será gradual e influenciada pela cotação do câmbio.
Impacto na Indústria e Agro
O agronegócio é o principal impulsionador das exportações, com produtos como café e frutas adquirindo isenção imediata. Entretanto, o impacto na indústria, como a redução nos custos de importação de máquinas e equipamentos elétricos, será vital. Fernando Ribeiro, do Ipea, afirma que essa dinâmica tornará a produção brasileira mais competitiva no cenário global, com repercussões indiretas mais profundas.
Salvaguardas e Compromissos Ambientais
O acordo ficou viável após a inclusão de “salvaguardas” solicitadas pela França, permitindo que a União Europeia suspenda temporariamente as vantagens caso haja incremento não desejado de produtos como a carne. Outro aspecto fundamental é a cláusula ambiental, que condiciona a continuidade dos benefícios ao cumprimento de compromissos de preservação ambiental, colocando o Brasil sob constante vigilância internacional.
Dados do Ipea indicam um futuro promissor entre 2024 e 2040, com um crescimento do PIB de até 0,46% e um incremento nas exportações, aguardando ganhos acumulados em longo prazo. Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, projeta que as exportações do bloco para o Mercosul sejam elevadas em quase 50 bilhões de euros nesse horizonte. Portanto, o Brasil se posiciona com força em um competitivo cenário global, onde o “Made in Europe” deverá se tornar mais acessível.

