Brasileiro – O produtor, diretor, roteirista e fotógrafo Luiz Carlos Barreto, conhecido como Barretão, faleceu nesta quarta-feira (22), aos 98 anos, no Rio de Janeiro. Sua contribuição ao cinema brasileiro o torna uma figura iconoclasta e marcante da sétima arte no Brasil, com trabalhos que impactaram diversas gerações.
A confirmação de sua morte veio de seus familiares. Barreto estava internado no Hospital Copa Star, lidando com problemas de saúde desde 2024, após uma queda durante uma viagem ao Ceará. A causa do falecimento não foi divulgada. Sua ausência deixa um vazio inestimável na indústria cinematográfica.
Nascido em Sobral, Ceará, em 1928, Luiz Carlos Barreto começou sua trajetória profissional no jornalismo. Antes de se lançar no mundo audiovisual, trabalhou como repórter e fotógrafo na revista “O Cruzeiro”, onde desenvolveu habilidades que seriam fundamentais em sua carreira futura no cinema.
A Influência do Cinema Novo
Barreto se aproximou do cinema no auge do movimento conhecido como Cinema Novo, que revolucionou a linguagem cinematográfica no Brasil. Durante esse período, ele colaborou com grandes nomes como Glauber Rocha e Nelson Pereira dos Santos, deixando a sua marca em produções que buscavam retratar a realidade social do país.
Uma das suas contribuições mais significativas veio como diretor de fotografia nas aclamadas produções “Vidas Secas” (1963) e “Terra em Transe” (1967). Através de seu olhar atento, Barreto ajudou a definir a identidade visual de filmes que abordavam temas de crítica social e valorização da cultura brasileira, explorando os dilemas e as lutas do povo.
Em 1963, ele fundou, ao lado da esposa, Lucy Barreto, a produtora L.C. Barreto. Esta empresa rapidamente se tornou uma das mais respeitáveis do Brasil, envolvida em dezenas de longas-metragens e coproduções que abordavam diferentes aspectos da sociedade brasileira.
Legado de Grandes Filmes
Barretão foi produtor associado a importantes filmes que moldaram a identidade do cinema brasileiro, como “Bye Bye Brasil”, “Memórias do Cárcere”, “O Quatrilho”, “O Que É Isso, Companheiro?” e “Dona Flor e Seus Dois Maridos”. Cada um desses trabalhos trouxe uma nova perspectiva, abordando questões sociais e culturais de maneira inovadora.
Além disso, “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, dirigido por seu filho Bruno Barreto, se tornou um marco no cinema nacional, sendo um dos maiores sucessos de público. Este filme não apenas solidificou a influência da família Barreto, mas também demonstrou a capacidade de Luiz Carlos Barreto de impactar e entreter o público.
Com uma carreira que abrange mais de seis décadas, Luiz Carlos Barreto testemunhou e participou de várias fases da produção cinematográfica brasileira, desde o Cinema Novo até o período de retomada nos anos 1990. Seu papel foi crucial para levar as histórias brasileiras a um público mais amplo, tanto nacional quanto internacional.
Barretão deixa sua esposa, Lucy Barreto, seus filhos Paula e Bruno Barreto, além de netos que continuarão a herança de um legado tão importante. Embora detalhes sobre velório e sepultamento não tenham sido divulgados, sua memória e contribuição para o cinema nacional permanecerão vivas entre todos que admiram a arte.




