O “Clube dos Sócios”: como William Abreu e Fuka Seabra gerenciam R$ 141 milhões

O “Clube dos Sócios”: como William Abreu e Fuka Seabra gerenciam R$ 141 milhões

Amazonas – Os vínculos que sustentam a corrupção. Essa é a análise que se pode fazer a partir dos documentos disponíveis no Diário Oficial do Estado, da Receita Federal e do Portal da Transparência do Amazonas. Enquanto o governador atual reinventa sua equipe com novos secretários em busca de uma gestão mais eficiente, a liderança da Agência Amazonense de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental (AADESAM) parece operar sob uma complexa e arriscada rede de conflitos de interesse, escândalos acumulados e calotes na população.

No foco das acusações está o atual presidente da AADESAM, William Alexandre Silva de Abreu. Nomeado pela primeira vez em fevereiro de 2026 e mantido na liderança na atual administração, sua escolha inicialmente parecia uma simples decisão política. Entretanto, a entrega do controle financeiro de uma das agências que mais recebe investimentos do Estado a um sócio de sua própria empresa levanta questões éticas e legais preocupantes.

O “Clube dos Sócios” e o cofre de R$ 141 milhões

William Abreu assumiu a presidência da AADESAM em 4 de fevereiro de 2026. Seis dias depois, Fulvio Pacífico Seabra, conhecido como Fuka Seabra, foi nomeado como diretor financeiro da mesma agência. Essa situação poderia passar despercebida em uma análise superficial, não fossem os laços financeiros documentados entre os dois.

Ambos são sócios da peixaria e distribuidora King Fish Comércio de Importação e Exportação de Peixe Ltda (Amazon Commerce) em Manacapuru. Nas funções governamentais, onde um é o presidente e o outro o diretor financeiro, têm agora acesso a um orçamento de impressionantes R$ 141.930.124,44, que foram repassados por diversas secretarias de Estado apenas em 2026.

Milhões nas mãos erradas

Com tamanha quantia recebida, surge a pergunta crucial: onde está sendo aplicado esse dinheiro? Os novos secretários e os órgãos fiscalizadores devem agir rapidamente para responder a isso. Enquanto a alta administração flui em riqueza, os funcionários que atuam nas operações diárias se encontram em situação delicada. Ex-funcionários da AADESAM relatam um atraso inaceitável no pagamento de salários, direitos trabalhistas e verbas rescisórias após demissões sem justa causa.

Um trabalhador, em denúncia publicada em 16 de maio de 2026, expressou: “Hoje se faz 30 dias que fui dispensado e até agora não recebi os valores devidos.” Essa falta de resposta por parte da AADESAM é alarmante, indicando uma possível má gestão dos recursos públicos.

Nos bastidores, a suspeita é de que os recursos estaduais estejam sendo desviados para finalidades obscuras, prejudicando a base trabalhadora que depende urgentemente desses pagamentos.

Um histórico questionável

A escolha de William Abreu para uma posição de tanta responsabilidade não é isenta de desconfiança. Conhecido por seu papel como um dos fundadores do Amazonas FC, sua trajetória no esporte é marcada por polêmicas e condenações. Em sua atuação anterior como gestor no futebol do Rio Negro, Abreu recebeu uma punição do Tribunal de Justiça Desportiva do Amazonas, sendo condenado a 90 dias de suspensão e multado após fazer acusações infundadas.

Hoje, esse mesmo indivíduo lidera uma máquina pública que controla milhões de reais, levantando questões sobre a competência e a integridade de sua administração.

Espaço aberto para manifestações

O Portal CM7 Brasil garante a confidencialidade dos informantes envolvidos na revelação dessas irregularidades. O conteúdo foi baseado em documentos públicos que revelam a verdadeira situação enfrentada por muitos trabalhadores da AADESAM.

Se você é funcionário, ex-funcionário ou fornecedor da AADESAM e enfrenta não apenas atrasos, mas também outras irregularidades, entre em contato com a equipe de reportagem do CM7. Este canal está pronto para receber novas denúncias e dados que ajudem a esclarecer a realidade vivida por quem está diretamente vinculado a essa gestão.

Provavelmente, os novos secretários e o governador precisam se pronunciar sobre as implicações da combinação entre sócios pessoais e a gestão de R$ 141 milhões. O silêncio diante de tais alegações poderia indicar uma conivência com a situação atual.

Documentos:

PAGAMENTO RECEBIDOS PELA AADESAM PORTAL DA TRANSPARENCIA

CARTAO DO CNPJ E SOCIOS PESSOAIS – AADESAM

DIARIO OFICIAL – NOMEACAO PRESIDENTE AADESAM WILLIAM ABREU

NOMEACAO SOCIO PESSOAL DO PRESIDENTE – FULVIO SEABRA