Brasil bate recorde em exportações de petróleo à China em 2023

Brasil bate recorde em exportações de petróleo à China em 2023

No primeiro trimestre de 2026, as relações comerciais entre Brasil e China alcançaram um novo patamar, destacando-se a crescente exportação de petróleo brasileiro em um cenário de tensão geopolítica no Oriente Médio. Essa movimentação consolidou o maior volume mensal de embarques de petróleo desde 1997.

Segundo informações do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), o total exportado para a China somou US$ 23,9 bilhões, com um aumento de 21,7% em relação ao ano anterior. Já as importações brasileiras totalizaram US$ 17,9 bilhões, com um destaque significativo: um crescimento de 750% na aquisição de veículos elétricos e híbridos.

Brasil como Fornecedor Estratégico de Energia

O diretor de Conteúdo e Pesquisa do CEBC, Túlio Cariello, ressaltou que o crescimento nas vendas de óleo bruto é resultado da busca da China por parceiros mais seguros, em meio às instabilidades políticas que envolvem o Estreito de Ormuz. “O Brasil, com uma oferta robusta e uma relação diplomática estável, oferece a segurança que os chineses necessitam atualmente”, comentou.

Essa parceria energética é de longa data, com empresas como CNPC e CNOOC operando no pré-sal brasileiro há mais de uma década. Recentemente, essa colaboração se expandiu para a Margem Equatorial, área estratégica que atrai novos investimentos, apesar dos desafios ambientais.

Desempenho das Commodities e Inovações Tecnológicas

Embora o petróleo tenha sido o carro-chefe nesse trimestre, as exportações tradicionais, como soja e minério de ferro, também mantiveram sua relevância. O volume físico dos embarques caiu, mas o faturamento aumentou levemente devido à valorização das commodities no mercado internacional.

Além disso, as importações brasileiras de tecnologia verde avançaram de maneira impressionante. As compras de veículos eletrificados totalizaram US$ 1,23 bilhão, representando um aumento de 7,5 vezes em relação ao início de 2025. Esse crescimento é impulsionado pela liderança da China como maior fabricante global de veículos de nova energia.

Impacto do Programa Mover e Crescimento do Setor Automotivo

A aceleração nas importações é também atribuída a estratégias tributárias, como o Programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação). Este programa possibilitou um cronograma de retorno gradual do Imposto de Importação para veículos elétricos, levando muitas empresas a anteciparem seus estoques.

Esse cenário gera um embate entre as montadoras tradicionais e as novas fabricantes chinesas, que já anunciaram planos para construção de fábricas no Brasil, assegurando sua competitividade. O balanço comercial do primeiro trimestre de 2026 reafirma a interdependência entre Brasil e China, com o país garantindo a segurança energética da China e se consolidando como um importante polo para a expansão da tecnologia automotiva chinesa na América Latina.